Artifact vai mal das pernas

Artifact vai mal das pernas

 

Quando foi anunciado durante o The International 2017, a ideia de um card game de Dota pegou muitos jogadores de surpresa, também pudera, um spin-off estava no fundo da lista de prioridades das coisas que os jogadores desejavam, ainda mais quando tantos bugs e problemas com a toxcidade dos jogadores permanece até hoje não solucionada.

Passou o tempo e Artifact foi atraindo relativa curiosidade da comunidade de Dota. Com o lendário Richard Garfield — criador de Magic: The Gathering — por trás do design do jogo e uma adaptação relativamente fiel ao jogo original, com heróis, habilidades, equipamentos e lanes, o spin-off que ninguém nunca pediu conquistou um certo espaço no imaginario popular e muitos ficaram anciosos para o seu lançamento.

Chegada a data, Artifact vendeu bem. Sendo o primeiro jogo lançado pela Valve em muito tempo, o game atraiu atenção suficiente para figurar entre os cinco mais jogados do Steam, com 60 mil jogadores simultâneos. Contudo, o rápido sucesso logo deu lugar a uma acentuada queda. Segundo o site Steam Charts, em menos de um mês, Artifact perdeu 80% deste número de jogadores, ficando entre 5 e 10 mil, atrás de jogos como Rust e Team Fortress 2, e as opinições gerais sobre o jogo são mistas.

O que deu errado?

É impossível apontar um único motivo para tal declínio, mas podemos elencar algumas coisas que colaboram pra chegarmos a esta situação.

Complexidade - É inegável que Dota é o moba mais complexo disponível no mercado. Com uma infinidade de mecânicas e sub-sistemas que fazem do jogo difícil de aprender e difícil de dominar.

Artifact aparentemente levou esta complexidade muito ao pé da letra, adaptando de modo fiel as mecânicas do jogo original. Se por um lado a atitude é louvável e agrada o público mais “hardcore”, por outro, torna a experiência um tanto quanto hermética e pouco atrativa para iniciantes ou pessoas que estejam buscando um passatempo.

Jogar Artifact é difícil, e acompanhar partidas por streaming não é tão divertido quanto outros jogos, dado o tempo de cada turno e a aparente falta de ação durante as partidas.

Velocidade de jogo - Assim como o as mecânicas dificeis, outro ponto que faz do card game pouco atrativo é a duração de cada jogo. Enquanto partidas de Heartstone levam menos de 10 minutos, partidas normais de Artifact (de iniciantes) podem chegar facilmente na casa dos 30, 40 minutos. Falando por experiência, não é incomum ver um adversário abandonar a partida no meio de um jogo que não se desenvolve. Segundo a Valve, partidas profissionais de Artifact ficam entre 12 e 15 minutos, mas não é neste nível que a maioria dos jogadores se encontra.

Custos - Talvez a maior reclamação de toda a comunidade é o modelo de monetização de Artifact. Enquanto jogos físicos de cartas são tradicionalmente experiências pagas, concorrentes digitais como Magic: The Gathering Arena e Heartstone dão um ponto de entrada gratuito a todos os jogadores, permitindo que estes experimentem sem comprometer seu orçamento e, caso gostem, invistam em cartas adicionais.

Na contramão do modelo tradicional, a Valve optou por fazer de Artifact uma experiência paga desde o início. Na justificativa, a empresa aponta que ao comprar o jogo, além dos baralhos iniciais, cada jogador já recebe dez pacotes de cartas aleatórias, que podem conter cartas raras e ultra-raras.

O problema é que mesmo com estes pacotes é difícil você conseguir as cartas “do meta” ou exatamente as cartas que precisa. Enquanto um jogador de Heartstone pode optar por só jogar gratuitamente e encarar as limitações de seu baralho, Artifact obriga jogadores a gastar, mas não garante que o investimento será recompensado, afinal, mesmo tendo pago o jogo, você continuará em desvantagem perante alguém que simplesmente gastou mais.

E agora?

A rápida debandada de jogadores é preocupante. Se em uma época festiva como o natal a Valve não conseguir aumentar e estabilizar a base de jogadores, podemos esperar grandes mudanças no jogo já para o primeiro semestre do ano que vem. Não seria de se espantar que Artifact seguisse o modelo de CS:GO e virasse gratuito, talvez com alguma compensação a mais para os jogadores que já investiram dinheiro no produto inicial.

Além das mudanças na monetização, não duvido que tenhamos também mudanças no flow do jogo, diminuindo as animações e o tempo que cada jogador dispoe para um turno. O certo é que a companhia não vai deixar Artifact afundar sem tentar corrigir coisas simples.


E você, gostou de Artifact? Acha que a Valve consegue salvar o jogo antes que ele caia no esquecimento como um experimento fracassado? Comente abaixo e fique por dentro de tudo que acontece na cena de Dota e Artifact pelo nosso Twitter e Facebook.

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