Valve quebra o silêncio e Kuku está oficialmente banido do Chongqing Major

Valve quebra o silêncio e Kuku está oficialmente banido do Chongqing Major

 

Após uma semana recheada de controvérias na cena internacional de Dota 2, a Valve finalmente se pronunciou sobre o caso de racismo envolvendo o jogador Kuku, da TNC.

Pelas informações que corriam entre grandes nomes do cenário, o jogador já havia sido comunicado de sua suspenção no torneio pelos organizadores, por utilizar a expressão Chingchong - expressão que satiriza os fonemas do idioma chinês - em um pub, enfurecendo muitos chineses.

Longe de tentar defender uma atitude racista, o que deixou jogadores e comentaristas de cabelo em pé foi o fato de que, supostamente, tal medida foi tomada diretamente pelas autoridades locais e não pela Valve - que manteve um longo silêncio - abrindo precedentes para que países legislem sobre o cenário, passando por cima da organização que deveria ditar as regrasdo esporte.

Com o nível de pressão atingindo níveis críticos e diversos nomes da cena se organizando para boicotar o evento, a companhia foi obrigada a dar um pronunciamento oficial, no qual oficializa a exclusão do jogador da competição e ainda penaliza a equipe com a perda de pontos.

A nota da Valve, em tradução livre:

“Estivemos acompanhando a recente situação sobre a TNC, sua participação no Chongqing Major e como tudo se desenvolveu. Primeiro, para clarificarmos, Kuku não foi banido pelo governo chinês. Apesar de muita euforia sobre sua participação e os problemas que ela poderia causar, não acreditamos que exista nenhuma ameaça real à segurança.

Acreditamos que a responsabilidade de lidar profissionalmente com este tipo de situações deve ser das equipes. Quando elas falham em fazê-lo, nós intervimos. Errar e pedir desculpas é uma coisa, ter uma equipe mentindo sobre o assunto e tentando acobertar um determinado jogador é outra. A TNC não soube lidar com o ocorrido e fez da situação algo muito pior do que ela deveria ser.

A TNC entrou em contato com a Valve na última terça, perguntando se eles receberiam alguma penalidade na pontuação da temporada por substituir Kuku; nós os falamos que eles não iriam. Assumimos que eles estavam trabalhando em um plano para substituir Kuku por outro jogador. Contudo, nos parece que a TNC não está aceitando a devida responsabilidade por suas ações, somando isso com a tentativa de acobertamento por conta da equipe, decidimos intervir e estamos banindo Kuku de participar deste evento. Para deixar claro, a TNC não é a vítima neste caso. Não é correto acobertar este tipo de situações, fugir de suas responsabilidades e jogar o assunto para a comunidade. Esperamos que eles discordem disso. [NT: possivelmente “esperamos que eles concordem com isso”]

Jogadores e equipes continuarão errando, e eles devem aceitar a responsabilidade por seus erros. Queremos que existam oportunidades para que eles possam aprender com seus erros, mas este aprendizado não significa que estes erros não tenham um custo. Acobertar uma situação não é uma forma aceitável de lidar com este tipo de problemas, e demonstra uma fraca tomada de decisões por parte da TNC, requerendo punição. Além de terem que encontrar um substituto para Kuku, estaremos também removendo 20% dos pontos DPC atuais da TNC. A restrição ao jogador não afetará torneios futuros.”

Apesar da firmeza do comunicado da Valve, a nota coloca em evidência um problema que jogadores e demais envolvidos na cena já reclamam faz tempo: a falta de pulso da companhia para assumir a responsabilidade sobre o cenário. Enquanto a Valve continuar arbitrando por pressão popular, situações semelhantes as de Kuku, da test 123 e de tantos outros continuarão a ocorrer. Leis existem para nortear o comportamento, e um conjunto de regras e punições previstas evitaria amplas discussões sobre o assunto. Dura lex, sed lex.

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